Deficientes Físicos e o Mercado de Trabalho

Desde a criação da Lei Federal 8.213, de 24 de julho de 1991, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a ter em seu quadro deficientes físicos, as pessoas nestas condições encontram um número cada vez maior de vagas no mercado.

Acredito que esta medida, como muitas outras leis de cotas, tem por objetivo reduzir de forma paliativa a desigualdade social, no entanto, me questiono qual é a eficiência desta ação.

Observo que a contratação de deficientes físicos para algumas empresas é visto como uma obrigação. Desta forma, os empregadores buscam no mercado os profissionais com deficiências “menos graves”, que não exijam grandes investimentos.

Antes de pensar na abertura de vagas para deficientes no mercado de trabalho é importante lembrar que para que eles tenham reais chances de concorrer às vagas é primordial ter suportes como: acessibilidade e educação.

A cidade de São Paulo, com seu transporte público super lotado, calçadas quebradas, ruas esburacadas, escadas, etc., traz dificuldades de acesso a todos, no que dirá aos deficientes físicos. Não posso deixar de colocar que muitas medidas já foram realizadas neste sentido, como ônibus com acesso aos cadeirantes, construção de rampas, lugares reservados no transporte público e o próprio Atende, que é um transporte exclusivo para os deficientes. De toda forma, muito há para ser feito neste sentido.

Com as dificuldades de acesso e locomoção nasce uma segunda dificuldade: acesso às escolas. O primeiro problema enfrentado é que, ainda hoje, algumas escolas se recusam a aceitar alunos que apresentem alguma deficiência, com a justificativa de que elas não possuem recursos técnicos ou mesmo profissionais preparados para aceitá-los. Nas escolas em que os deficientes são aceitos as dificuldades para ir a escola, realizar as atividades como os demais alunos e ser aceito também são fortes, fazendo com que poucos finalizem a sua formação.

Com tais dificuldades o número de deficientes físicos capacitados e com formação acadêmica no mercado é pequeno. Muitas empresas alegam esta dificuldade, permanecendo com vagas abertas durante meses sem sequer um candidato.

Acredito que este quadro melhora a cada ano (felizmente), mas para que isto melhore a passos largos é necessário que cada um na sociedade identifique qual é o seu papel diante desta questão, em especial o governo, educadores e empregadores. Somente desta forma será possível atingir a igualdade que nunca deveria ter deixado de existir.

Um abraço!!

Gláucia Santos

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